Imagine construir uma casa sobre a fundação rachada. Não importa o quão bonita seja a fachada: o risco de colapso está embutido. No Direito Previdenciário, essa fundação se chama CNIS.

O Cadastro Nacional de Informações Sociais reúne seus vínculos, contribuições e salários. É a partir dele que o INSS decide se você tem direito — e quanto vai receber.

O que costuma aparecer de errado no CNIS?

  1. Vínculos de emprego que não constam (especialmente empregos antigos, empresas fechadas ou contratos informais convertidos).
  2. Salários de contribuição menores do que os reais (erros de folha, contribuição sobre o mínimo, declarações erradas).
  3. Períodos sem data de saída — o que pode travar o cálculo.
  4. Contribuições em atraso não registradas.
  5. Tempo rural, militar ou especial não identificado.
  6. Pendências cadastrais que geram bloqueio automático.

Por que isso reduz o valor da aposentadoria?

O salário de benefício é construído a partir dos salários de contribuição. Se faltam salários altos, a média cai. Se falta tempo, você pode ser obrigado a esperar mais — ou aceitar regra menos vantajosa. Em ambos os casos, o dinheiro sai do seu bolso.

Como auditar o CNIS em 5 passos

Passo 1: Baixe o extrato no Meu INSS.

Passo 2: Liste todos os empregos e períodos de contribuição que você lembra.

Passo 3: Cruze com carteira de trabalho, carnês, contracheques e declarações.

Passo 4: Marque divergências (faltas, erros, pendências).

Passo 5: Busque documentos de correção: PPP, LTCAT, termos rescisórios, certidões, declarações de sindicato, comprovantes de recolhimento.

E se a empresa já fechou?

Ainda há caminhos: arquivos públicos, prova testemunhal (em certos contextos), documentos pessoais e certidões. A ausência do empregador não apaga automaticamente o seu tempo de trabalho — mas exige estratégia de prova.

Quando procurar ajuda?

Sempre que o CNIS tiver: vínculos faltando, tempo especial não contado, pendências que você não sabe resolver, ou quando o pedido já foi negado por “falta de carência/tempo”.